PREFÁCIO:
Existem livros que nascem do ofício — e existem livros que nascem de um chamado. Este é um daqueles casos em que a escrita parece ter sido guiada por algo maior do que técnica, rotina ou vontade: há aqui um tipo de inspiração que vem do alto, do invisível, do que a gente sente antes mesmo de entender.
Ao escrever esta tríade — sobre os mentores, Jesus e o amor — Lucila não apenas reuniu temas. Ela alinhou forças. Há um sopro de luz atravessando cada crônica, como se seres de luz a tivessem acompanhado no ato de escrever: não para impor verdades, mas para acender caminhos dentro do leitor.
Mentores, aqui, não são apenas figuras espirituais: são símbolos de amparo, direção e cuidado. Jesus não aparece como um conceito distante, mas como presença viva — como a referência mais alta de compaixão, perdão e coragem.
E o amor… o amor é a matéria-prima de tudo. Porque, no fundo, essa tríade não é três coisas. É uma só. Tudo somatiza, tudo se concentra, tudo se revela em uma única palavra: AMOR. E não aquele amor decorativo, de frase pronta ou enfeite emocional. Mas o amor que transforma. O amor que educa o olhar. O amor que reconstrói o humano quando o mundo tenta endurecer a gente por dentro.
O amor que faz o leitor sair de uma página diferente de como entrou — mais atento, mais sensível, mais inteiro.
As crônicas que seguem tratam do cotidiano, sim — mas não do cotidiano como ruído. Elas revelam o cotidiano como campo espiritual, como prova de humanidade, como lugar onde o sagrado se manifesta em pequenos gestos: no cuidado, no respeito, na ética, no acolhimento e na coragem de acreditar no outro.
Em tempos de dores sociais, de abismos entre o ser e o parecer, entre o ter e o sentir, este livro funciona como uma espécie de retorno: ao essencial. Ao que sustenta. Ao que cura.
Lucila escreve como quem estende a mão. E, ao leitor, fica o convite mais raro e mais necessário: permitir-se tocar — e lembrar que, apesar de tudo, ainda é possível escolher o bem, abrir novos caminhos e transformar o mundo a partir do único centro que realmente permanece.
AMOR.
Maria Zilda Alves da Silveira
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