No transcorrer da vida, todos os dias acontecem coisas inesperadas: às vezes pequenas, às vezes intensas, quase sempre memoráveis. Os acontecimentos fazem do cotidiano um palco imprevisível, um território fértil para boas histórias, bons casos, causos... E é exatamente desse terreno que nasce Intercorrências.
Neste livro, faço uma coletânea de crônicas escritas a partir de 2007, passeando pela vida laboral, pelos encontros familiares e entre amigos, por situações que beiram o cômico e por lembranças que só ganham sentido quando revisitadas com afeto. São relatos que misturam sensibilidade, olhar atento às peculiaridades humanas e humor.
A maioria das crônicas é de domínio público, já divulgadas nas redes sociais e conhecidas pelos mais próximos da leitura, mas nada impede que sejam revisitadas.
A ilustração da capa do livro, criada pelos publicitários Denisson Albuquerque e Emile Veras após briefing, retrata uma sala de emergência — UTI de hospital — local que visitei várias vezes em intercorrências que me fizeram constatar, com profundidade, que a vida deve ser encarada com leveza, até nos momentos mais complicados.
Este livro não nasceu com pretensões grandiosas. Não aspira listas de mais vendidos, prêmios literários ou citações acadêmicas (embora não recusasse, por modéstia ou educação). Sua ambição é mais simples e, talvez, mais honesta: fazer companhia, arrancar um sorriso, provocar uma lembrança, cutucar uma ideia. Caso consiga isso, já terá feito mais do que muita coisa por aí, que faz muito barulho e diz quase nada.
As crônicas revelam personagens reais, momentos hilários, episódios curiosos e reflexões sobre a vida e, claro, trabalho, convívio e os pequenos absurdos do dia a dia. Com escrita leve e espontânea, procuro transformar o ordinário em extraordinário e mostrar que, mesmo nos dias mais difíceis, sempre existe espaço para um sorriso, uma boa anedota ou uma pitada de poesia.
Intercorrências é um convite para desacelerar, observar e reconhecer-se no outro. Um livro para ler devagar, ou de uma vez só, sem esquecer o que escreveu Julio Cortázar:
“Escrever é uma luta contínua com a palavra.
Um combate que tem algo de aliança secreta.”
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